Perspectivas para 2023: Planejamento, Foco e Cautela

 / 15.11.2022

Já estamos na reta final de 2022, entrando naquele período onde muitas empresas e funcionários entram quase que em “piloto automático”, ainda mais em um estressante cenário pós-eleições e com a Copa do Mundo chegando. O momento, contudo, é um dos menos propícios para o “piloto automático”.

Não se engane, 2023 pode ser muito desafiador.

O cenário macro permanece instável, com a guerra entre Ucrânia e Rússia sem data para terminar, desaceleração do crescimento chinês e tensões entre Estados Unidos e China, além da crise energética na Europa e do avanço da inflação ao redor do mundo.

Alguns especialistas dizem que os Estados Unidos já entraram em recessão técnica – embora o governo Biden não confirme a informação – e todas as vezes que a maior potência econômica do mundo entra em recessão, o mundo inteiro treme.

Não tenho bola de cristal para dizer quando – e se realmente – iremos entrar em uma recessão global. Contudo, em momentos como esses, a cautela pode ser sua maior amiga.

Se existem fortes ventos desfavoráveis, é importante se preparar, ainda mais em uma economia ainda muito dependente de commodities como a nossa, e extremamente dependente de nossas parcerias comerciais com a China que, agora, não vive seus melhores dias em termos de economia e crescimento.

O lema “caixa é rei” continua mais atual do que nunca, ainda mais em um cenário onde o crédito não está tão barato quanto esteve ao longo da última década e os investidores estão pensando 10x antes de fazer aportes em empresas.

Os fundamentos do que faz um bom negócio estão de volta: margens, fluxo de caixa, lucro. Não tem segredo e nem mistério, embora muitos tenham tentado fazer loucuras contábeis e econômicas nos últimos anos.

Até mesmo mercados extremamente lucrativos tem tido uma debandada, como o mercado cripto, com a recente bancarrota da FTX, uma das maiores corretoras do mundo, em uma trama digna de Hollywood. Abordarei melhor o assunto em artigos posteriores.

Pode ser que nenhum desses temores se confirme e que a economia volte a florescer e tenhamos próximos anos cheios de crescimento econômico. Mas diante de todos os sinais, é difícil acreditar nisso. Em especial com as sinalizações irresponsáveis no que tange aos controles de gastos do governo eleito. Preservar caixa, ter foco em execução e cautela nos gastos é o mais apropriado.

Sobreviver aos próximos meses – ou anos – deve ser a primeira missão da sua empresa.

O Brasil é um país cheio de oportunidades, mas não podemos esquecer que ainda somos um país em desenvolvimento, com uma moeda não tão valorizada, extrema instabilidade jurídica, um ambiente terrível para negócios e muito suscetível a solavancos vindos de fora.

Com tantas variáveis, é sempre bom se planejar para o pior, sem esquecer de abrir os olhos para possíveis oportunidades que sempre aparecem nos momentos de crise.

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Allan Costa
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