O case Nubank para além do preço da ação

 / 14.12.2021

Tenho a sensação de que o case Nubank pode ser apenas o primeiro de uma série de cases bem-sucedidos de grandes empresas brasileiras de tecnologia que construirão histórias incríveis.

Semana passada tivemos o tão aguardado IPO do Nubank, que alcançou os 52 bilhões de dólares em valor de mercado. Em menos de 10 anos, o Nubank foi de um emissor de cartões de crédito para a terceira empresa pública mais valiosa do Brasil, alcançando o título também de banco mais valioso do país, ultrapassando instituições com décadas de história, como Itaú e Bradesco.

O Nubank vale 52 bilhões de dólares? Deveria valer mais? Menos? Vai valorizar ao longo dos próximos anos? Estes não são os pontos que eu gostaria de destacar hoje. Para além do valor de mercado, o Nubank deveria ser encarado como um case fantástico de empreendedorismo.

No seu core, o Nubank não é apenas um banco, é uma empresa de tecnologia. Pode parecer óbvio dizer que o Brasil precisa de cases como esses para mostrar o quanto precisamos investir na formação de bons profissionais de tecnologia.

Se compararmos a lista das maiores empresas do mundo em 2000 e em 2020, a mensagem é clara. Gigantes de petróleo, energia e varejo foram ultrapassadas pelas gigantes da tecnologia. O mesmo movimento é possível de acontecer no Brasil, se investirmos na formação de profissionais qualificados para esta área e o país parar de atrapalhar em todos os sentidos quem tenta empreender – esta parece uma missão impossível, por vezes.

O fato de uma empresa de tecnologia se tornar uma das maiores do Brasil em menos de uma década, atuando em um setor nada fácil e competitivo como o setor financeiro deveria servir como lição para todos.

O Brasil é um país cheio de talentos esperando a oportunidade certa para construir negócios muito impactantes.

É importante notar que o Nubank é uma grande exceção. O case da empresa é um caldeirão quase perfeito entre timing, fundadores super talentosos, injeção de capital e setor certo de atuação.

É óbvio que a esmagadora maioria das empresas jamais atingirá um valor de mercado como este. Isso não quer dizer que não existem oportunidades imensas no ambiente brasileiro.

É bem possível que, ao longo desta década, vejamos mais e mais empresas de core tecnológico se tornando algumas das empresas mais valiosas do nosso país. Esta é uma tendência que tem se espalhado ao redor do globo.

O Mercado Livre, por exemplo, criado na Argentina em 1999, se tornou em 2020 a empresa mais valiosa da América Latina. Também no ano passado, a Shopify, gigante do e-commerce, passou o Royal Bank of Canada e se tornou a empresa mais valiosa do país.

Para além do preço da ação e se a empresa vale menos ou mais de seu valor de mercado atual, o case Nubank traz uma mensagem clara: precisamos de mais cases como esses para inspirar outros fundadores a desafiarem o status quo de suas indústrias e, com boas doses de tecnologia, mudarem mercados inteiros.

Como diria Roberto Campos: “O Brasil não perde uma oportunidade de perder uma oportunidade”. É bem possível que isso continue verdade durante os próximos anos.

Apesar disso, tenho a sensação de que o case Nubank pode ser apenas o primeiro de uma série de cases bem-sucedidos de grandes empresas brasileiras de tecnologia que construirão histórias incríveis.

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Allan Costa
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