Grandes empresas e grandes profissionais são Colecionadores

 / 25.11.2019

A originalidade geralmente está ligada a carreiras do mundo da arte, como escritores, músicos e artistas. Um artista dito como “original” é aquele capaz de adicionar sua luz própria em determinados contextos. 

Hoje, gostaria de tratar da originalidade não no mundo artístico, mas no empreendedorismo e na carreira. Creio que muitas pessoas não veem a importância desse tipo de análise, mas como investidor-anjo e mentor de diversos profissionais e empresas, percebo que esse é um assunto recorrente, embora muitas vezes não muito reconhecido. 

Você provavelmente já pensou (ou ouviu alguém falar) sobre uma “ideia genial” de negócios. Essas ideias geniais geralmente estão intimamente ligadas à ideia da originalidade. Tenho que confessar que no mundo de hoje, onde tudo parece já ter sido inventado, é compreensível que muitos empreendedores busquem pela grande ideia super original de negócios. 

Mas isso é um erro. 

Nossa visão do que é original é, no fim, distorcida. É comum encararmos negócios vencedores como ideias super originais nascidas a partir da cabeça de empreendedores brilhantes. Assim, estamos sempre buscando uma ideia super original e “diferente” para investir nosso tempo e energia…

Em seu livro fenomenal, Steal Like an Artist, Austin Kleon compartilha 10 segredos sobre a criatividade. Considero esse livro uma obra essencial para qualquer pessoa e, claro, para empreendedores. Dentre os segredos compartilhados por Kleon, um dos que considero mais importantes é aquele que dá nome ao livro: Roube como um artista.

Para Kleon (e concordo 100% com ele!!!), nada é original. Ele se utiliza da autoridade de nomes como David Bowie e Picasso para mostrar que todo novo trabalho ou criação nada mais é do que a junção de centenas de outros trabalhos e criações. E não me entenda mal, não estou falando aqui de plágio, que se define como a prática na qual alguém toma o trabalho ou criação de outra pessoa e a atribui a si.

Artistas brilhantes são o resultado de centenas e centenas e centenas de diferentes referências. Um músico definido como original é o resultado da soma do estilo de muitos outros músicos.

Da mesma forma, um empreendedor ou uma empresa de sucesso nada mais é do que a soma de milhares de referências de outros empreendedores e empresas de sucesso. Kleon costuma dizer que “Um artista é um colecionador”. Da mesma forma, acredito fielmente que grandes empreendedores e grandes empresas são, no fim, grandes colecionadores.

Se você é um empreendedor ou profissional buscando evoluir sua carreira, encarar a originalidade como algo quase místico, como estamos acostumados a fazer, pode ser bastante perigoso. Isso tira o nosso foco em nos tornarmos grandes coletores de referências (ou colecionadores, como diria Kleon), para buscarmos a originalidade “em lugar nenhum”.

Encare a sua carreira e a sua empresa como grandes participantes de uma jornada. O seu grande objetivo nesta jornada é coletar o maior número de referências possíveis, usar as que fazem sentido para você ou para sua empresa e descartar todo o resto.

Não tente construir a empresa ou a carreira mais original do mundo. Busque o máximo de referências que puder e adicione suas próprias características em cada uma delas, criando, a partir daí, a tão aclamada originalidade.

No fim, todos somos uma grande soma de nossas referências.

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Allan Costa
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