Walk the talk – você assume os riscos daquilo que prega?

 / 18.08.2020

Em um mundo onde qualquer pessoa pode se intitular especialista em X, Y ou Z, é fundamental identificar os que realmente estão dando a cara a tapa e, assim, diferenciá-los das pessoas que estão apenas repetindo discursos.

Eu sou um fã incondicional da internet e das possibilidades que ela trouxe para a humanidade como um todo. Mas reconheço que ela possibilita alguns discursos equivocados.

Costumo dizer que o mundo dos negócios é o mundo das narrativas. Temos por aí todo tipo de história de sucesso, normalmente exaltando as habilidades e visões particulares dos personagens.

Quase todos nós temos acesso às redes sociais e, por consequência, a milhões de outras pessoas, e surgiu daí uma legião de profissionais que se baseiam em narrativas, às vezes forçadas, para vender suas marcas pessoais.

Veja, não tenho nada contra a venda de uma marca pessoal. Acho, inclusive, imprescindível para a construção de uma carreira perene.

Chamo atenção, contudo, para esse aspecto: você viver o discurso, ou como diria Nassim Nicholas Taleb, Skin in the game. O que quer dizer estar sujeito aos riscos daquilo que você mesmo prega.

Em um mundo onde qualquer pessoa pode se intitular especialista em X, Y ou Z, é fundamental identificar os que realmente estão dando a cara a tapa e, assim, diferenciá-los das pessoas que estão apenas repetindo discursos.

É o que eu chamo, e defendo, de walk the talk. Nada mais é do que viver, na prática, aquilo que você defende.

Há por aí incontáveis especialistas em inovação, em marketing digital, em transformação digital, que jamais estiveram no campo de batalha, promovendo mudanças nos negócios e que, portanto, jamais experimentaram o skin in the game, mesmo esbravejando em todo lugar a respeito de boas práticas e experiências.

Separar quem tem apenas narrativas e quem realmente vive o discurso é ótimo para ver quem se sustenta de pé quando as coisas ficam mais desafiadoras.

Ler conceitos em livros é lindo. Mas é algo que qualquer um pode fazer. Saber como aplicar esses conceitos já são outros quinhentos. E fazer isso de modo sistemático e estruturado, com resultados consistentes, ao longo dos anos, é ainda mais difícil.

Nada contra os “especialistas de LinkedIn” ou “especialistas de Instagram”. Incentivo que todos os profissionais passem a criar conteúdos e invistam em marcas pessoais. Porém, mais do que isso, incentivo que esses mesmos profissionais busquem resultados, vivam, na prática, aquilo que dizem e entrem de vez no jogo.

Em tempos de redes sociais, todo mundo é especialista.

Ao invés de levar em conta apenas os discursos e narrativas, considere também o quanto esse profissional que você segue vive o que acredita. E o quanto ele coloca a própria pele em risco agindo segundo o que prega.

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Allan Costa
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