Onde está o protagonismo?

 / 28.10.2019

Você provavelmente notou que mais e mais reportagens por aí tem feito chamadas do tipo “O Futuro de [insira aqui algum setor ou tecnologia]”. Todos somos, em certa medida, temerosos acerca do futuro. Essas reportagens tentam mostrar como nossos negócios e carreiras estarão daqui a 5, 10 ou até mesmo 20 anos. 

Mesmo assim, tenho percebido que, muitas vezes, falta uma parte importante nessa equação futurista: as pessoas. 

Parece ter virado moda falar sobre inovação e futuro e vejo cada vez mais empresas e profissionais tentando entender as mudanças que estão por vir. O grande problema é que, da forma como muitas reportagens, especialistas e profissionais falam, parece que essas mudanças simplesmente acontecem. 

Que existirá um momento específico, como no dia 23 de outubro de 2025, onde iremos atingir, de vez, o tal do futuro. Esse futuro simplesmente irá chegar. Ele é implacável e imutável. 

Onde está o protagonismo? Desde quando o futuro se tornou algo que simplesmente acontece?

É comum encontrarmos notícias ou reportagens afirmando que a tecnologia X, Y ou Z é o futuro da indústria A, B ou C. Sem dúvidas, as tecnologias serão grandes drivers de mudanças em diversas áreas. Isso é algo que vem acontecendo há milênios.

Mas e as pessoas?

Por que temos dificuldade de colocar as pessoas nessa história toda? Esse tal de “futuro” não é algo que simplesmente chega e muda tudo de vez. Isso nos coloca em uma posição passiva.

Se encararmos o futuro como algo que está para chegar, jamais iremos nos enxergar como protagonista desse futuro.

O primeiro passo para mudar isso é ver o futuro como algo QUE JÁ ESTÁ ACONTECENDO. Simplesmente por que o futuro nada mais é do que o resultado das nossas várias pequenas ações ontem e hoje.

Acho extremamente esquisito ver pessoas preocupada com máximas como “Os robôs vão tomar o meu emprego?”, como se, de um dia para o outro, robôs surgissem e simplesmente nos deixassem para trás.

O futuro JÁ ESTÁ SENDO CRIADO. Se você tem medo de que os robôs tomem o seu emprego, por exemplo, não deveria se colocar em uma posição passiva e esperar que o futuro chegue. Deveria se colocar em uma posição de protagonismo das mudanças.

E isso serve para qualquer pessoa ou empresa.

Enquanto enxergamos o futuro como um acontecimento quase único que muda todo o curso da história, estaremos nos colocando em uma posição passiva. Como alguém que simplesmente é atingido e recebe os acontecimentos.

Minha visão é de que precisamos nos ver como protagonistas. Ao invés de sermos atingidos e receber o que acontece, criarmos e construirmos o futuro. Pense sobre alguns dos empreendedores mais admirados de todos os tempos. Bill Gates. Steve Jobs. Jeff Bezos.

Você acha que algum deles enxergava o futuro de modo passivo? Que as grandes tendências simplesmente aconteceriam?

Gates, Jobs e Bezos foram capazes de criar negócios tão revolucionários justamente por enxergar as tendências e TOMAR UMA AÇÃO em relação a elas. Eles não simplesmente falavam sobre o futuro. Eles o construíram.

O futuro não é esse lugar distante no qual chegaremos em alguns anos. O futuro é hoje. Precisamos de mais e mais protagonistas construindo o futuro todos os dias.

O que precisamos é de mais protagonismo e menos gente falando ou com medo do futuro.

Afinal, o mundo foi, é e sempre será construído por protagonistas.

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Allan Costa
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