O grande legado da liderança

 / 03.11.2020

O líder não pode mais ser visto como um portador de respostas. Pelo contrário, deve ser um grande questionador, capaz de formar equipes com membros melhores do que ele e ter poderes de motivar a todos a seguirem em uma mesma direção

Falar sobre liderança é um dos meus tópicos preferidos. Venho falando sobre essa temática há anos, seja em palestras e textos, seja vivenciando na prática o que é ser um líder através das minhas atividades profissionais.

Ao longo das últimas décadas tivemos uma mudança de paradigma naquilo que realmente significa ser um líder. Embora essa seja uma verdade ainda difícil de discutir em alguns contextos, como a política em muitas grandes empresas, o líder não pode mais ser visto como um portador de respostas. Pelo contrário, deve ser um grande questionador, capaz de formar equipes com membros melhores do que ele e ter poderes de motivar a todos a seguirem em uma mesma direção.

Existe ainda uma outra faceta do papel do líder, menos discutida, mas que, na minha opinião, é tão importante quanto qualquer outra. E aqui estou falando de uma palavrinha repetida incontáveis vezes, mas ainda utilizada de forma vazia na maioria dos discursos: legado.

Um dos meus autores preferidos, Clayton Christensen, autor de diversas obras históricas sobre inovação, escreveu um livro chamado Como Avaliar sua Vida?, onde discorre sobre quais métricas devemos utilizar para medir nossa vida e, também, que legado queremos deixar.

Quando encaramos o papel da liderança, é natural olharmos para métricas ligadas, por exemplo, ao crescimento do negócio, ao aumento do faturamento, ou à expansão internacional. Essas são, com certeza, métricas importantes para se avaliar o desempenho de um líder. Contudo, quando falamos de legado, existe uma métrica ainda mais importante em toda essa equação.

Me lembro de estar assistindo a uma entrevista com Alex Atala, o chef brasileiro mais reconhecido do mundo, em que ele dizia que, com frequência, ouvia pessoas comentando, intrigadas: “Atala, você dá estágio para todo mundo”. E sobre isso, o chef respondeu: “Quanto mais gente eu colocar no mercado, mais longa é a minha carreira. Mesmo quando eu não estiver mais aqui, minha carreira irá continuar. Porque deixará de ser carreira e se tornará legado”.

Quantas vezes você já encarou a liderança partindo do desejo de construir um legado?

Além das métricas de negócio, como faturamento, aumento do valor das ações ou expansão, o legado da liderança tem a ver com a formação de outras pessoas.

Quantos profissionais você foi capaz de influenciar? Na vida de quantos gestores você pode estar presente de forma positiva? Em tempos de influencers digitais surgindo a todo momento, este é o tipo de influência que realmente faz a diferença, pois gera perenidade: líderes que formam outros líderes.

Se você já possui uma posição de liderança, pergunte-se se você está sendo capaz de formar outros líderes.

E mesmo que você não tenha uma posição formal de líder na sua vida profissional, saiba que temos sim o poder de influenciar positivamente aqueles ao nosso redor, sejam nossos parentes, amigos ou colegas de trabalho.

Grandes líderes são aqueles que estão muito além das métricas de negócios.

Quer saber o quão relevante um líder realmente é?

Observe quantos outros líderes ele é capaz de formar. Lembre-se das palavras que citei ali em cima: o que você está fazendo para transformar sua carreira não apenas em uma carreira bem-sucedida, mas em legado?

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Allan Costa
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