Liberdade e responsabilidade: lições da Netflix para empresas do século 21

 / 15.09.2020

O modelo de gestão de Hastings adotado na Netflix é, com certeza, útil para empresas do século XXI, em que organizações ainda tentam equilibrar resultados com o bem-estar e a liberdade criativa de profissionais.

Foi lançado oficialmente o primeiro livro escrito pelo fundador da Netflix, Reed Hastings, chamado A regra é não ter regras. As lições de gestão de Hastings vão além de ensinar a respeito de um produto que se tornou onipresente. São, sem dúvidas, algumas das premissas mais importantes para empreendedores e líderes deste século.

Embora seja natural associar Hastings à Netflix, a história do empreendedor não é somente a gigante do streaming.

Formado em matemática, antes de fundar a Netflix, Hastings abriu a Pure Software, que acabou sendo vendida para outra empresa de software em 1997. Muitos dos aprendizados do CEO à frente da Pure Software serviram para que ele tivesse tanto sucesso com o empreendimento que criaria em seguida.

Conforme a Pure Software crescia, Hastings conta que diversas burocracias e entraves apareciam.

De forma geral, isso acabou minando a capacidade da empresa em inovar. Porém, inspirou-o, mais tarde, na hora de construir a cultura da Netflix. Decidiu baseá-la em dois princípios fundamentais: liberdade e responsabilidade.

Para Hastings, as pessoas devem estar acima dos processos.Apenas quando os profissionais têm liberdade é que uma verdadeira cultura de inovação floresce.

Mas uma cultura baseada na liberdade individual não nasce e não progride do nada. É necessário que o ambiente empresarial sirva como um impulsionador para que isso aconteça.

Uma coisa é dizer aos funcionários que todo mundo pode trazer novas ideias para mudar processos. Criar redes de segurança para que eles realmente façam isso sem que tenham medo de serem julgados ou demitidos, é outra.

E aí, entra o outro pilar da cultura propagada por Reed Hastings: responsabilidade.

Muita liberdade no ambiente corporativo pode parecer incrível no papel, mas está há um passo de um desastre completo. Um ambiente livre não pode ser confundido com permissividade.

Enquanto liberdade pode ser transformadora, excessos terminam em caos, em que a performance geral é prejudicada. Por essa razão, responsabilidade é tão importante.

A cultura da Netflix é baseada em empoderar as pessoas, para que elas compreendam que seu trabalho afeta a marca como um todo e é parte direta dos resultados.

“Nós apenas contratamos adultos e deixamos que eles trabalhem”, dizem algumas pessoas da organização.

O modelo de gestão de Hastings adotado na Netflix é, com certeza, útil para empresas do século XXI, em que organizações ainda tentam equilibrar resultados com o bem-estar e a liberdade criativa de profissionais.

Importante lembrar que a Netflix é uma empresa que lida com ativos diretamente ligados à criatividade, como filmes, séries e animações. Portanto, pensar uma cultura de liberdade e responsabilidade para uma empresa como essa é diferente do que seria desenhar o pensamento dentro de organizações de outros setores, como saúde ou educação.

Mesmo assim, a trajetória da Netflix e as ideias originais de Hastings são bases ricas para o futuro do trabalho. Vale ficar de olho.

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Allan Costa
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