Inovação e descentralização: dois lados da mesma moeda

 / 09.06.2020

Já falei em outras publicações que o termo inovação entrou para a rotina das empresas. Como especialista, empreendedor e atuante na área, considero o fato animador. Mesmo assim, diante do que tenho visto acontecer em algumas companhias, é sempre bom voltar ao básico e esclarecer algumas questões.

Gostamos de criar figuras míticas no mundo dos negócios. Elon Musk, Steve Jobs, Jeff Bezos, pessoas que chamamos de inovadoras e para quem batemos palmas a cada novo produto que lançam (ou costumavam lançar) no mercado. Claro que admiro esses empreendedores, mas tenho que admitir que me incomoda toda essa centralização da ideia de inovação de companhias inteiras em apenas uma figura.

No século passado, quando os processos não eram tão ágeis e as hierarquias mais rígidas, o habitual era que o departamento de Pesquisa e Desenvolvimento ou o de Inovação e Novos Negócios monopolizassem as iniciativas de inovação da maioria das empresas. Havia uma distinção clara entre eles, que perseguiam novas ideias, produtos e negócios, e os outros departamentos, responsáveis por manter a operação rodando.

Era um modelo mais centralizado e, como você pode imaginar, um tanto insustentável para os dias atuais.

Perceba, não estou dizendo que departamentos de P&D e Inovação deveriam desaparecer. Eu mesmo possuo um cargo executivo atual com o nome “Inovação” no título. Meu ponto é: se no passado fazia sentido esse modelo de concentrar esforços de inovação das companhias nessas áreas, hoje, um século depois, esse processo não pode permanecer o mesmo.

No século passado, a ideia de uma figura ou um departamento tomando todas as decisões inovadoras de uma empresa poderia até funcionar. Os testes não eram tão rápidos, os processos eram mais lentos e novas soluções não brotavam a cada semana.

Contudo, o mundo ganhou velocidade. Testes são feitos com mais agilidade e tecnologias surgem a todo momento. Nesse contexto, conter os esforços de inovação em uma pessoa ou um departamento pode ser catastrófico. Atualmente, percebo que é muito mais saudável encarar os departamentos de P&D e Inovação como pavimentadores dos processos inovadores. Aqueles responsáveis por abrir o caminho para o resto da organização em iniciativas envolvendo novos produtos, novos modelos de negócio, e assim por diante.

A descentralização, aqui, é poderosa. Mesmo existindo um departamento responsável pela inovação, ela jamais pode ser uma exclusividade de algumas poucas cabeças. No mundo caótico de hoje, transformações só surgem a partir de iniciativas difusas, distribuídas pela companhia.

Os mais poderosos insights de melhoria de um produto ou solução muitas vezes vêm das pontas. De quem tem contato direto com o cliente. De quem conversa todos os dias com os parceiros. Quanto antes sua empresa entender isso, melhor.

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Allan Costa
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