Como liderar em momentos de estresse e pressão

 / 02.02.2021

Apesar da esperança trazida pelas vacinas, 2021 parece um corredor escuro no qual não conseguimos enxergar exatamente como será no final e um grande questionamento que surge é: Como líderes devem se comportar em momentos como esses, quando líderes e liderados estão, há meses, tão exaustos?

Uma das grandes consequências de momentos de incerteza é o aumento do estresse. Nós, como humanos, somos avessos à incerteza. Gostamos de sentir que estamos no controle e planejar todos os nossos passos.

O grande problema é que, desde o início de 2020 estamos vivendo momentos extremamente incertos. Diferente de outras crises, a iniciada pelo novo coronavírus desencadeou não apenas uma crise econômica, mas também uma crise de saúde e, em muitos casos, uma crise política. Essa conjunção fez com que nossos níveis de estresse subissem exponencialmente, acompanhando a curva de casos do novo vírus.

Apesar da esperança trazida pelas vacinas, 2021 parece um corredor escuro no qual não conseguimos enxergar exatamente como será no final. No final das contas, parece que 2021 terá no mínimo 24 meses.

Um grande questionamento é: Como líderes devem se comportar em momentos como esses, quando líderes e liderados estão, há meses, tão exaustos?

Embora a incerteza seja um elemento em comum entre a primeira e a segunda onda da pandemia, elas possuem algumas diferenças entre si.

Na primeira onda, diante de todas as novidades surgindo, foi preciso buscar agir rápido em um ambiente em que ninguém parecia ter certeza do que estava acontecendo. Foi o instinto de sobrevivência reagindo com prontidão, dilatando nossas pupilas, disparando ondas de adrenalina que nos prepararam para os dias duros que viriam.

O problema é que os dias viraram semanas, as semanas viraram meses e, no fim das contas, quando começamos a crer que o fim estava perto, veio a segunda onda. Agora, doses maiores de resiliência são necessárias. Ao invés de termos que necessariamente agir rápido por não conhecermos a pandemia, temos que buscar outras estratégias para criar capacidade de transformar a exceção em regra.

Em outras palavras, a vida e os negócios vão ter que continuar andando independente da segunda onda, ou de quantas outras vierem à frente – esperamos que não venham.

Para os líderes, é necessário levar cada vez mais em conta uma das palavras-chave para este século: saúde mental. Este é um assunto ainda tabu em muitas organizações e isso foi evidenciado com a pandemia.

Em um estudo liderado pelos autores Timothy Wilson, David Reinhard e Erin Westgate, denominado “Basta pensar: os desafios da mente desligada” (tradução livre), os especialistas descobriram que soldados, por exemplo, ficam mais estressados em momentos de espera e de tédio do que durante combates.

E o momento atual já não é mais caracterizado pela postura de guerra, mas por uma necessidade de aguardar o desenrolar de situações que não estão exatamente sob nosso controle.

Líderes precisam levar a saúde mental a sério.

Uma simples forma de começar a fazer isso é mostrando fragilidades, dúvidas e desconfortos. É natural que líderes queiram se mostrar figuras quase perfeitas e inatingíveis. Contudo, líderes capazes de mostrar suas próprias vulnerabilidades são percebidos como muito mais humanos pelos seus liderados, e isso faz toda a diferença.

A comunicação, nesses casos, é fundamental. Mesmo que um líder não tenha todas as respostas para o que está por vir – de fato, ninguém tem – comunicar isso da forma mais clara possível é um elemento importante para o ganho de confiança.

Podemos não saber as respostas quanto ao que vem pela frente. Mas devemos criar respostas para como enfrentaremos o caminho até lá. Isso eleva a confiança das tropas e a moral de todos os envolvidos. E liderar de forma eficaz tem tudo a ver com confiança.

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Allan Costa
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