Como diferenciar sinais de ruídos

 / 09.03.2021

Um desafio pelo qual todos nós passamos é: como continuar adquirindo conhecimento e informações relevantes (sinais), sem que percamos tempo com informações que, no final das contas, não te ajudarão tanto assim (ruídos)?

Em tempos de excesso de estímulos, uma grande habilidade ainda subestimada é a capacidade de diferenciar sinais de ruídos. Em seu livro “O sinal e o ruído”, o autor Nate Silver nos traz a seguinte premissa: o acesso à informação nunca foi tão fácil. Isso é uma benção, mas também uma maldição.

Diante de tantas notícias, opiniões e pesquisas, como diferenciar aquilo que é realmente relevante?

Essa é uma batalha que enfrentamos todos os dias. Já comentei em alguns outros artigos o quão importante é termos princípios claros que nos ajudem na tomada de decisão. Irei revisitar essa ideia ao longo deste artigo.

Atualmente, se você parar para ler blogs, newsletters e postagens em mídias sociais, algumas temáticas específicas atraem muita audiência: empreendedorismo, inovação, marketing digital e investimentos. Frases de efeito são requentadas por empreendedores (ou aspirantes a empreendedores). “Novos métodos” de gestão são introduzidos por pessoas que comandam equipes de menos de 5 pessoas – quando comandam… Livros são recomendados de novo e de novo como se fossem o último lançamento do mercado.

Você liga a televisão e a última declaração do deputado XYZ é notícia.

Você entra no LinkedIn e se depara com centenas de pessoas fazendo posts sobre suas próprias qualidades.

No Instagram? Todos são especialistas, sarados, viajantes e lêem 2 livros por semana.

Um desafio pelo qual todos nós passamos é: como continuar adquirindo conhecimento e informações relevantes (sinais), sem que percamos tempo com informações que, no final das contas, não te ajudarão tanto assim (ruídos)? Separei 3 dicas e hábitos que podem te ajudar a ter mais clareza de pensamento, o que é fundamental para tomar melhores decisões.

O primeiro ponto tem a ver com o volume de informações consumidas.

Acredito decididamente que devemos estar sempre buscando novos conhecimentos e novas habilidades. Entretanto, entrar em um looping de consumir mais e mais coisas pode fazer com que nos tornemos especialistas em adquirir novas fontes de informação, mas péssimos em colocar aquilo que consumimos em prática. Conhecimento sem uso é peso morto e esse é o ponto de partida para aquele ponto em que consumimos tanta coisa que é quase impossível sabermos o que é realmente relevante.

Na prática, talvez tenhamos que pensar em como aplicar o Princípio de Pareto, que diz que 80% dos resultados vem de 20% do esforço. É bem provável que 80% dos seus resultados de carreira, por exemplo, venham de 20% de bons hábitos que você coloca em prática. Da mesma forma, é bem provável que 80% dos seus conhecimentos em uma determinada área venham de 20% dos cursos, livros e artigos que você consumiu.

Diretamente ligado ao que acabamos de discutir, um segundo ponto importante e conectado com o Princípio de Pareto, tem a ver com escolher bem as suas fontes de informação.

Hoje, sou muito mais seletivo com quem acompanho, quais veículos assisto, quais sites leio e quais livros consumo. Da mesma forma, quando buscamos aprender sobre um determinado tema, é quase natural começarmos a consumir as mais variadas fontes sobre aquilo.

Se você decidiu que quer aprender a investir, irá ler livros, começar a seguir influenciadores – cuidado com essa parte – ler artigos, assistir a vídeos e assim por diante. Contudo, a verdade é que poucas e confiáveis fontes é uma forma muito mais poderosa de aprender do que se perder em um oceano sem fim de referências.

Por fim, retomando aqui algo que comentei no início do artigo, ter princípios claros é uma forma poderosa de diferenciar aquilo que é sinal do que é ruído.

Um dos meus princípios claros, por exemplo, é investir em pessoas. Meu julgamento está sempre correto simplesmente porque possuo esse princípio? Com certeza não. Por vezes, erro feio. Mesmo assim, é um princípio que me ajuda na tomada de decisão, focando no que é realmente relevante (sinal) e descartando ou dando muito menos importância àquilo que não faz tanta diferença (ruído).

Esse é um esforço intenso e infindável.

Temos novos estímulos a cada minuto e é muito fácil que nos percamos nos ruídos. Com o aumento do número de informações, dados e fontes disponíveis, diferenciar sinais de ruídos, cada vez mais, é um dos fatores que irá diferenciar quem vai chegar lá de quem ficará pelo caminho.

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Allan Costa
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