A Verdade sobre o Quiet Quitting

 / 13.09.2022

Não importa o termo da moda ou o mundo de fantasia disseminado nas mídias sociais. Trabalho duro continua sendo trabalho duro. E isso continuará sendo verdade por muito tempo. E ele continuará sendo a melhor forma de se alcançar grandes realizações.

De tempos em tempos, novas palavras da moda aparecem no mundo dos negócios. Já tivemos Growth Hacking e Great Resignation. Agora, temos o Quiet Quitting. Este é um fenômeno que começou a aparecer com mais força do ano passado para cá e tem chamado a atenção de profissionais e gestores ao redor do mundo.

O termo significa o ato de os profissionais fazerem o mínimo necessário no trabalho, ao contrário da mentalidade amplamente difundida de trabalhar duro, muitas vezes até tarde, e buscar sempre mais.

Segundo especialistas, o fenômeno do Quiet Quitting não é novo – apesar do termo ser – e está ligado à baixa satisfação que muitos profissionais têm com seus empregos atuais.

Entendo perfeitamente o fato de que muitas pessoas não se sentem felizes em seus trabalhos e, portanto, acabam não performando tão bem quanto poderiam. Contudo, é preciso colocar os pingos nos i’s e ser claro: as regras do trabalho duro, sinto dizer, permanecem as mesmas.

Existe sim um movimento em alta de que precisamos prestar mais atenção ao equilíbrio entre vida profissional e vida pessoal – o que já defendi, neste mesmo espaço, que pode ser uma armadilha: a vida é desequilíbrio!

Buscar o equilíbrio perfeito das mídias sociais é perseguir o inatingível e serve apenas como fonte de ansiedade e frustração. Claro que, tanto quanto possível, é preciso encontrar espaço para trabalho, família, atividade física, cuidar da saúde, lazer, relações sociais. Mas, especialmente nas fases iniciais da carreira, é natural que existam desequilíbrios temporários, e isso não pode – e não deve – ser fonte de ansiedade.

Além disso, a insatisfação no trabalho não é algo novo. As novas gerações parecem ser extremamente talentosas em criar nomes novos para fenômenos que já existem há décadas – sempre postando tudo nas mídias sociais, criando uma permanente espetacularização.

Fato é: se você quer ser um profissional reconhecido e quer galgar altos cargos e resultados acima da média, construindo uma carreira de sucesso, não existe termo da moda que substitua o bom e velho “baixar a cabeça e trabalhar”.

Você provavelmente passará alguns anos sem tanto equilíbrio entre vida profissional e pessoal. Você precisará fazer horas-extra. Você precisará passar por diversos perrengues. Mas, infelizmente, essa é uma estrada sem atalhos.

Por vezes, tenho a sensação de que existe uma tendência cada vez mais recorrente entre boa parte dos profissionais chegando ao mercado de trabalho de romantizar tudo, ao invés de encarar a dura realidade.

Mesmo para pessoas altamente realizadas profissionalmente – eu, incluso – eu diria que 80% do tempo não tem nada de glamour. É pancada atrás de pancada e dor de cabeça atrás de dor de cabeça.

Contudo, quem quer construir grandes coisas – o que muitas vezes chamo de legado – e se tornar um profissional realmente desejado pelo mercado, precisa ir além. É preciso fazer mais. É preciso entregar mais do que foi pedido.

Não importa o termo da moda ou o mundo de fantasia disseminado nas mídias sociais. Trabalho duro continua sendo trabalho duro. E isso continuará sendo verdade por muito tempo. E ele continuará sendo a melhor forma de se alcançar grandes realizações.

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Allan Costa
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