A necessidade de parar

 / 05.06.2015

“Pergunte-se por um momento: o que você faria se só tivesse mais um ano de vida?”

Agendas e compromissos de trabalho, reuniões, encontros, família, filhos, afazeres domésticos, amigos, lazer. Smartphones, tablets, computadores, notebooks, televisão. Facebook, Linkedin, Instagram, twitter, youtube, Google +. Carro, trânsito, transporte público, aeroportos. Pois é… é coisa demais pra tempo de menos!

A vida contemporânea envolve a cada um de nós em uma ciranda ensandecida, onde temos que multiplicar as 24 horas do dia apenas para descobrir que ainda assim não há tempo pra tudo. O resultado, muitas vezes, vem na forma de elevada ansiedade e permanente sensação de dever não cumprido.

Por isso defendo a necessidade de parar de vez em quando.

Paradas estratégicas, curtas, mas que possibilitem um completo isolamento da rotina e do cotidiano. Tempo para desconectar, descomprimir, refletir, reavaliar prioridades e planos, rever os sonhos e, fundamentalmente, entrar em contato consigo mesmo.

Foi com esse propósito que me propus uma espécie de retiro na virada do ano de 2013 e me mandei para o Nepal. País longínquo, desconhecido para a maioria de nós, ocidentais, e relativamente famoso por ser o ponto de partida das expedições ao Everest. Descobri nessa viagem que o Nepal é muito mais do que isso.

É um país de contrastes extremos.

De um lado, salta aos olhos a dificuldade econômica e a situação precária em que a quase totalidade da população vive. De outro lado, destaca-se a amabilidade e simpatia das pessoas.

Monumentos milenares, patrimônios da humanidade, ao lado de casas e construções em avançado estado de deterioração.Um povo extremamente espiritualizado e uma cultura muito rica que, para mim, foram fonte de valiosos aprendizados, alguns dos quais compartilho a seguir.

Mas antes de ir adiante, assegure-se que você tem pelo menos um tempinho para verdadeiramente refletir a respeito:

  • Pergunte-se por um momento: o que você faria se só tivesse mais um ano de vida? Raramente pensamos na perspectiva da morte. Mas ela está à espreita e, de fato, é nossa única certeza na vida. Imagine-se com apenas mais um ano de vida? O que você faria? O que você deixaria de fazer? Onde investiria o seu tempo? Essas respostas trarão embutidas sinalizações concretas acerca daquilo que realmente é importante na sua vida;
  • Passamos a maior parte do tempo envolvidos em atividades profissionais. Buscamos reconhecimento e sucesso pessoal e financeiro. Isso é válido e é essa busca que garante progresso na vida. Mas qual a medida do equilíbrio? Para quem fazemos isso? Em geral, lembramos dos nossos filhos e nossas famílias quando buscamos a resposta. Trabalhamos tanto para proporcionar mais conforto para aqueles de quem gostamos. Mas pergunte-se: será que esses nossos filhos não trocariam todos os seus brinquedos importados e videogames de última geração apenas para desfrutar de mais tempo ao nosso lado? Raramente aqueles que de fato importam nos cobram algo além da nossa presença.
  • Qual é a sua medida de sucesso? Essa parece uma pergunta simples, mas ela tem um lado traiçoeiro. Primeiro pense na resposta. Definiu o que é sucesso pra você? Agora reflita: essa medida de sucesso é SUA de verdade? Ou ela é, de alguma maneira, influenciada por aquilo que nossa sociedade consumista define como sucesso? Sucesso é a casa enorme e cheia de quartos onde ninguém dorme? É o carro importado do ano do qual não utilizamos a metade da potência? É o guarda roupa abarrotado de roupas de grife que não usamos? Ou será que sucesso não tem muito mais a ver com “ser” do que com “ter”?
  • No ambiente em que vivemos, angústias e ansiedades são quase que inevitáveis. Einstein dizia que nunca viu um idiota hesitar. Ter dúvidas é inerente à capacidade humana de pensar. O que não nos damos conta é que sempre, e em todos os momentos, não adianta procurar a resposta em qualquer lugar que não dentro de nós mesmos. O problema é que gradativamente perdemos contato com nossa essência. E ao fazê-lo, deixamos de encontrar as melhores respostas. Por isso o exercício de entrar em contato consigo mesmo é tão necessário.
  • E finalmente, uma última reflexão: viajar é preciso! Não apenas para lugares que adoramos, como Paris ou Nova Iorque, que são um colírio para os olhos e uma oportunidade de absorver cultura e diversão e doses cavalares. Mas também para lugares fora do comum, que nos colocam em situações inusitadas, nos tiram da zona de conforto e nos colocam em contato com realidades verdadeiramente diferentes. Isso amplia nosso olhar sobre o mundo; eleva nossa veia criativa; nos desafia e estimula nossa capacidade de improviso ao mesmo tempo em que impulsiona nossa autoconfiança. Em suma, nos faz seres humanos melhores.
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Allan Costa
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