6º mês de pandemia: é hora de desacelerar e repensar os planos

 / 01.09.2020

Os funcionários começam a perguntar, nas empresas, nas reuniões por Zoom, quanto tempo as coisas ainda vão levar para voltar ao normal. E a mensagem difícil que alguns gestores estão tendo que dar é que há uma grande chance de que não haja um retorno à vida como a conhecíamos. Nunca mais.

Quando a pandemia atingiu a nossa rotina pela primeira vez, as pessoas tiveram que migrar em massa para o home office, mas, apesar de todo o receio, havia uma motivação profissional nos times em geral.

Estávamos pilhados com nossos novos problemas complexos para resolver. A vida de trabalho virtual até que oferecia algumas novidades. E com tantas notícias assustadoras saindo, era bom ter desafios concretos nos quais se debruçar.

Mas agora, mesmo com tantas empresas conseguindo voltar aos números de receita próximos aos anteriores à pandemia, há uma sensação de não haver um motivo para comemoração. Porque depois que os problemas deixaram de ser tão novos assim e tudo se estabilizou, os dias acabaram se transformando em uma rotina fria, em que acordamos e nos conectamos às ligações do Zoom enquanto nos equilibramos na corda fina que é lidar com as responsabilidades com os filhos, ao mesmo tempo que apoiamos nossas equipes.

Estamos com bons resultados, porém, abatidos pela rotina diária da vida em quarentena, queimando combustível rápido demais. É hora de desacelerar e repensar os planos.

Como empresário, trabalhar 24 horas por dia junto com a minha equipe para manter a empresa forte, era quase instintivo. Aquelas longas semanas em março, abril, maio e junho foram naturais para mim, e para muitos dos membros do meu time.

Mas a verdade é que estamos exaustos. Afinal, passamos alguns meses construindo o trem enquanto o mantínhamos andando nos trilhos.

E agora, o desafiador é determinar como ir da transição para a próxima fase, em que trabalhar em casa talvez se torne a norma.

Não há uma resposta fácil para a pergunta de como manter a equipe motivada remotamente ou o que irá substituir a convivência e o coleguismo característicos do escritório. Tudo é muito diferente quando estamos todos separados.

Por isso, minha dica é: comece tirando alguns dias para fazer um balanço de tudo o que passamos. Isso vai ajudar você a se recuperar e a processar melhor para onde seu time precisa ir daqui para frente.

Pense em como você quer liderar nos próximos meses. E sugira que os colegas façam o mesmo, que desacelerem e, por que não, tirem uma folga.

Eu sei, ninguém está viajando, então parece estranho tirar o dia de folga para ficar em casa. Mas isso trará oxigênio, o que será muito importante, tanto para a saúde mental quanto para a produtividade futura.

Converse com funcionários sobre trabalhar em um ritmo mais flexível.

Desmonte a cultura de estresse e esgotamento.

Sugira intervalos, com algumas horas por semana em que ninguém agenda reuniões. Talvez chamadas para conversas casuais, não relacionadas ao trabalho, podem ser motivadoras.

Faça experiências com encontros de pequenos grupos (com máscaras e álcool em gel, é claro) e permita que as pessoas trabalhem no escritório conforme a necessidade.

Pode ser que o melhor planejamento a longo prazo a ser feito neste momento seja não deixar que a oportunidade que se apresenta, escape.

Temos a chance de reconfigurar o trabalho e torná-lo melhor para nossos colegas. Um trabalho mais gerenciável, que acomoda bem a vida pessoal dos funcionários, incluindo crianças gritando e cachorros latindo.

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Allan Costa
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